quinta-feira, 28 de agosto de 2008

MOBILIZAÇÃO UNIVERSITÁRIA - início

Saudações a todos, caros amigos e colegas de curso.
Gostaria de conversar um assunto sério com todos.
Nesses dias eu fui abordado por uma amiga e colega de curso. Ela me pediu para dar uma olhada na comunidade "UFRN - História 2008" e ler a postagem sobre o IHGRN. Ato contíguo, pediu-me que, na qualidade de presidente do Centro Acadêmico de História, fizesse algo a respeito.
Fiz o que me foi pedido. Entrei na comunidade e lí o que fora postado. Ví, com crescente contentamento, a mobilização que se formava ao redor da causa IHGRN. De fato, estamos precisando de mais mobilização estudantil, menos politicagem e maiores e mais constantes iniciativas de nosso corpo discente. Mas será que só isto basta?
Na posição em que me encontro, não posso me dar ao luxo de falar o que quiser e bem entender sem antes conhecer, o mínimo possível, sobre o que pretendo criticar. Fiz uma pesquisa sobre o IHGRN, suas relações com o Curso de História da UFRN e demais setores públicos. Conversei com outros estudantes, os quais são atuantes junto ao referido instituto e coletei o máximo de informações possíveis dentro do prazo que tive - 04 dias. Paralelo a esta pesquisa, chegou-me informações sobre o estudante que iniciou a mobilização, suas motivações, etc. Havendo, portanto, informações suficientes para dar uma resposta "responsável", em nome de um Centro Acadêmico, procurei novamente o tópico da mobilização. Qual não foi a minha surpreza ao encontrar apenas os comentários dos visitantes do tópico e uma "despedida" de quem o criou. Suas outras falas estavam deletadas. O motivo disto eu desconheço, e a esta altura não me importa (uma vez que só possuo as informações que me foram passadas por terceiros, e que no momento não devem servir de base para qualquer tipo de julgamento - assim diz o bom senso).
O que ví, nesta noite, e que me deixou refletindo durante boa parte da madrugada, é o reflexo de comportamentos negativos que estão se tornando cada vez mais comuns entre os universitários: o comodismo hipócrita e a mobilização demagógica.
É muito fácil e cômodo o estudante sentar a bunda numa cadeira e ficar arrotando críticas à tal ou qual gestão de tal ou qual centro acadêmico. Levantar para trabalhar é que é difícil: nunca dá tempo, nunca há condições "favoráveis" para auxiliar. Participar é uma realidade surreal e muitos jogam nas costas de poucos o dever e a responsabilidade de responder por suas deficientes vontades. Deficiente sim, pois se baseia na falta de responsabilidade, na falta de deveres e na falta de discernimento.
Pior do que não fazer, é estragar a oportunidade de outros fazerem. Este tipo de crítica mina a vontade de participar que surge em outros. As vezes há a vontade de realizar algo, mas a coragem é tão pouca que acaba por esvair-se como tênue vapor. Os poucos com vontade e coragem férrea, e que iniciam este tipo de ação, levando-a adiante, se deparam com toda sorte de dificuldades e críticas, muitas delas injustas e/ou baseadas em inverdades.
Quando uma pessoa inicia este tipo de movimento, sem sentir a real necessidade de efetuar a transformação proposta, tira a força de quem quer fazer, pois assim este ultimo é colocado, junto com o primeiro, no saco dos que "só sabem falar".
Quantas e quantas pessoas já desistiram de se envolver em mobilizações por estarem descrentes com este tipo de luta? O problema é das lutas? Não! O problema é dos que lutam, aliás, é da motivação dos que lutam - que na realidade não lutam, mas "arrebanham" gente para lutar em seu nome, e em seu lugar. Estes que lutam sem saber os motivos e as motivações de tal luta são, hoje em dia, conhecidos como "massa de manobra".
Gostaria, pois, de chamar a atenção destes dois tipos de estudantes de nosso curso e corpo discente:
Aos acomodados arrotadores de críticas destrutivas: você já fez alguma coisa? Você já se inteirou sobre o que está sendo feito? Como está sendo feito? Onde está sendo feito? Em suma: suas críticas possuem consistência e firmeza?
Aos nobres, mas inocentes, entusiastas das lutas universitárias: você sabe bem em que tipo de luta está engajando? Você sabe bem qual o real quadro da situação que envolve sua luta? Você já procurou saber o que se oculta além da superfície do que está se metendo?
O Movimento Estudantil Universitário não pode, de forma alguma, ser irresponsável. Na menor das possibilidades, somos formadores de opiniões, somos exemplos sociais, pois estamos em um nível de conhecimento muito maior do que a maioria das pessoas quem constituem nossa nação e, é claro, acabamos por ocupar posição de liderança. Isto é, per si, uma responsabilidade muito grande. E o que está sendo feito com tanto "conhecimento"? Até o momento, pouca coisa (boa)...
Esta conversa não é sobre o "C.A. de História". Não é sobre "A Ordem de Prometheu". Não é sobre o "Curso de História". É tão simplesmente sobre RESPONSABILIDADE. É sobre ÉTICA. É sobre COMPROMISSO. É sobre CARÁTER!
Se, depois de tudo isto, ainda existir alguém que queira se colocar no trono real dos que a tudo criticam sem nada fazer - e sempre existirá este tipo de "gente", então é a estes que me dirigo agora:
POR FAVOR, NÃO ESTRAGUEM A OPORTUNIDADE DOS QUE QUEREM RELMENTE OPERAR UMA MUDANÇA POSITIVA NESTA SOCIEDADE.
Já é dificil fazer alguma coisa boa sem ajuda. Pior ainda é ter que fazer o mesmo tipo de ação com tantos entraves desnecessários.

Um comentário:

João Gilberto Saraiva disse...

Não li ainda os "posts" da comunidade. Mas achei interessante o texto, os que apenas criticam são um grande problema pra quem quer fazer algo.

-x-

Mudando um pouco o foco, achei interessante o seguinte trecho:

"Na menor das possibilidades, somos formadores de opniões, somos exemplos sociais, pois estamos em um nível de conhecimento muito maior do que a maioria das pessoas quem constituem nossa nação e, é claro, acabamos por ocupar posição de liderança."

Uma coisa que notei quando entrei na área de Humanas foi que no nível superior de educação nos julgamos como umbigo (centro) e cérebro (melhor pensantes e líderes) de algo.

A experiência empírica me parace dizer o contrário.

-x-

Vou continuar lendo os textos daqui e do Orkut pra opinar.

Essa já foi uma bela iniciativa, até mais.