quarta-feira, 9 de abril de 2008

Solidariedade ao Movimento Estudantil da UNB




Saudações a todos, caros amigos e companheiros estudantes do Curso de História da UFRN.

Hoje eu estou triste.
Mais do que isto, estou desapontado, estou angustiado e estou envergonhado.


Em busca de interar-me um pouco mais sobre o que está acontecendo na Universidade de Brasília - UNB, encontrei algumas críticas, hora tecida por alunos, hora tecidas por gente totalmente alheia ao universo acadêmico. Cada opinião manifestava-se sobre o fato mais notório e, também, o mais banal: a ocupação da reitoria.

Muitas pessoas, principalmente as que estão fora da universidade, abrem a boca para condenar
as atitudes dos estudantes. Estas mesmas pessoas também se apressam a manifestar juizos de valores sobre a integridade dos universitários militantes. Hororizam-se com a "destruição de um patrimônio público" e com a "selvageria juvenil" destes estudantes. Mas o pior de tudo é perceber que estas pessoas, ao condenarem os estudantes, parecem esquecer que o motivo pelo qual estão invadindo e destruíndo não é outro senão uma luta solitária pela justiça, pela retidão, pela probidade, pela honestidade, pela democracia que tanto nos orgulhamos em ter e defender.

Mas não é isto que me deixa triste, desapontado, angustiado e envergonhado.

O que me deixa triste é ver meus conterrâneos, meus irmãos de origens, lutarem contra um sistema apodrecido que não se avexa em macular, com seu toque pútrido e corrupto, a visão dos que não lhes conhecem nem lhes reconhecem como a parcela podre de nossa sociedade. Vestidos com a capa de herois, são monstros disformes que violam a moral, a verdade e a justiça, fazendo com que todos os que lhe são adversários passem por criminosos, quando na realidade são eles mesmos a origem de todos os malhes de nosso povo. Eu me entristeço quando vejo um irmão de origem apanhando como um cão sarnento, justamente por defender aquilo que todos os que acreditam em nossa constituição deveriam defender. Me entristeço pois vejo que o levante dos que buscam as coisas certas se faz passar por ação criminosa, e deste modo o mal sempre prevalece, se passando por bem.

O que me deixa desapontado é a inatividade e o desinteresse dos que, não estando lá, nada fazem em apoio aos que, lutando e sofrendo, defendem um interesse universal entre os estudantes universitários. Abrem a boca para falar de banalidades e trivialidades. Se julgam sábios em manifestar opiniões inúteis e muitas vezes pré-conceituosas, seja sobre o que for, mas se calam e se omitem quando a temática é a tomada de uma postura enérgica contra um opressor que não se acanha em violar, enganar, subjulgar, subverter... Meu desapontamente é proporcional à capacidade de desunião existente entre os estudantes. Meu desapontamente é proporcional à capacidade de aceitação e acomodação dos que, sabendo que as coisas erradas acontecem, e sabendo que isto lhes afeta direta e/ou indiretamente, e ainda sabendo que são sempre os prejudicados, nada fazem e nada dizem, pois se acovardam. meu desapontamento nasce da hipocrisia dos que tudo falam e nada fazem. Meu desapontamento se firma quando, buscando aliados para lutar pelo que é justo e correto, vejo costas curvadas surgindo diante de meus olhos incrédulos. O Movimento Estudantil é, hoje, um movimento de fuga...

O que me deixa angustiado é a impotência que sinto diante da necessidade de lutar por uma coletividade que não se interessa em melhorar sua própria situação, mas que não se reserva das crítica aos que, vestidos de coragem e audácia, lutam contra a corrupção, e com isto denunciam as fraquezas dos que nada dizem e/ou nada fazem. A minha angustia está, também, diante do fato de que estes que se acovardam, mesmo criticando os que lutam, também não se intimidam em comemorar a vitória dos que por eles foram criticados. Se beneficiam das consquistas alheias, e tomam posse delas como se fossem suas próprias conquistas, e convenientemente se esquecem da luta e do sofrimento dos verdadeiros herois, sempre anônimos, sempre esquecidos, mas também sempre condenados por sua coragem e audácia.

O que me deixa envergonhado é a inversa coragem que temos em nos dizer pertencentes à Movimentos Estudantis, e no entanto não encontramos modos de manifestar nosso apoio e nossa solidariedade ao que estão lá, bem longe de nós, lutando pelo que também lutamos, lutando pelo que também acreditamos, lutando contra o que também nos revolta, lutando contra o que também nos viola os direitos. A realidade deles é similar á nossa. Eles sofrem com os mesmos problemas, e embora a vitória deles não traga benefícios à nossa universidade, ela é um símbolo, um ícone, uma representação de que também podemos lutar e vencer, e de que a impunidade, quando combatida, não encontra lugar entre os justos. A vitória de um estudante é a vitória da categoria estudantil. A derrota de um estudante é, também, a derrota da categoria estudantil. E é vergonhoso ver tão poucos lutando pelo que tantos sabem que é necessário fazer, mas não fazem. Minha vergonha é a vergonha que se deita sobre os estudantes omissos, sobre os estuadantes acovardados, sobre os estudantes vendidos, sobre os estudantes hipócritas, sobre os estudantes, portanto, de forma geral, pois o rótulo que cabe em um, acaba cabendo em todos.

Enquanto estudante, enquanto universitário, enquanto cidadão, enquanto ser humano, eu não posso me calar e aceitar que um reitor, ou professor, ou seja quem for que, enquanto corrupto, destrua toda uma universidade, ofertando-se luxo e requinte às custas da má formação acadêmica dos seus alunos. As verbas de uma universidade pertencem á universidade. A universidade são seus alunos e seus professores. Somos a base desta pirãmide e, portanto, a força mais poderosa. Somos o objetivo principal da existência de uma universidade, seja ela pública ou particular. E está mais do que na hora de aceitarmos e reivindicarmos o real valor que temos.

Se temos o poder de dar autoridade a um presidente, também temos o poder de retirar esta autoridade.
Se temos o poder de dar autoridade a um reitor, também temos o poder de retirar esta autoridade.
Se temos este poder, então também temos a responsabilidade de usá-lo sempre que necessário.
Não somos nos quem temos que temer nossos "representantes".
São eles quem precisam nos respeitar, enquanto eleitores, e temer, enquanto seres conscientes e dotados de vontades, direitos e deveres.

Aos estudantes de Brasília, deixo aqui os meus votos de sucesso e minha declaração de solidariedade e, embora não possam me escutar, quero que saibam que mesmo aqui, em Natal, em benefício à categorai estudantil, também farei a minha parte para fazer de nossa sociedade uma sociedade melhor.

Sei que não estou sozinho, mas quero que saiba que você, que chegou até este ponto, e que também sente esta mesma vergonha, esta mesma angustia, esta mesma tristeza e este mesmo desapontamento, também não está sozinho.

Nós não estamos sozinhos.

Nunca!

Um comentário:

Anônimo disse...

Faço dessas, tão verdadeiras quanto belas, palavras, as minhas!
Não estamos sós!

RODRIGO FELIPE (SENSEI)